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Epilepsia – e Óleos Essenciais

Índice

Tempo de leitura 25 minutos

Em cerca de 30% dos casos, a epilepsia não pode ser tratada de forma satisfatória com medicamentos, razão pela qual os óleos essenciais têm vindo a ganhar destaque como medida de apoio.

O que se deve ter em atenção quanto a isto, se e em que medida são úteis, será explicado de seguida – de forma compreensível para leigos.
Um resumo do relatório científico para todos aqueles que desejam saber mais sobre o apoio natural na epilepsia.
Um glossário, após a lista de referências, explica os termos técnicos.

A terceira parte destina-se a médicos, apresentando o estado atual da terapia farmacológica, bem como os resultados de estudos relativos a óleos essenciais de suporte na epilepsia, incluindo referências.


O que é epilepsia?

O cérebro é composto por milhares de milhões de neurónios que enviam constantemente sinais elétricos. Normalmente, isto acontece de forma ordenada, como uma orquestra bem direcionada. Na epilepsia, ocorre subitamente um tipo de “tempestade elétrica” no cérebro, a convulsão: muitos neurónios disparam ao mesmo tempo e de forma descontrolada.

O que acontece durante uma convulsão?

Dependendo da parte do cérebro afetada, uma convulsão pode ter aparências muito diferentes:

  • Ausência
    Breve “desligar” por segundos, o indivíduo fica a olhar para o vazio
  • Crise mioclónica
    Movimentos curtos e espasmódicos (muitas vezes pela manhã)
  • Ataque focal: Contrações ou sensações numa parte do corpo, por vezes com turvação da consciência –
  • Convulsão tónico-clónica generalizada (anteriormente “Grand Mal”): Queda, enrijecimento, espasmos rítmicos de todo o corpo, perda de consciência

Qual é a frequência da epilepsia?

Epilepsia afeta aproximadamente a nível mundial 50 milhões de pessoas, o que corresponde a cerca de 1 % da população mundial. Na Alemanha, vivem cerca de 400 000 a 500 000 pessoas com epilepsia. É a terceira doença neurológica mais comum, a seguir à enxaqueca e ao AVC.

O grande problema

Por volta de 30 % dos pacientes Se os medicamentos não forem suficientemente eficazes, fala-se de epilepsia farmacoresistente. Estas pessoas procuram frequentemente por opções complementares.

Na epilepsia, o cérebro tem descargas elétricas anormais e repetitivas.

Dois sistemas devem estar em equilíbrio:

  • GABA (Ácido Gama-Aminobutírico): O “travão”, acalma o cérebro
  • Glutamato: O “pedal do acelerador”, o cérebro ativa

Na epilepsia, o equilíbrio está perturbado: pouca travagem, aceleração excessiva, o cérebro “entra em parafuso”.

Adicionalmente, os canais iónicos, que são minúsculas “portas” nas membranas das células nervosas, desempenham um papel importante:

  • Canais de sódio (Nav)
    Quando uma célula nervosa dispara, na epilepsia abrem-se demasiado facilmente.
  • Canais de cálcio (Cav)
    Importante para certos tipos de crise (por exemplo, ausências)
  • Canais de potássio (Kv)
    Ajudar a acalmar o neurónio após o disparo

Como a epilepsia é normalmente tratada?

Os antiepilépticos (AEDs) mais importantes

Ácido valproico Este é o antiepilético de largo espectro mais importante. Atua de várias formas em simultâneo e é particularmente eficaz em epilepsias generalizadas, ao travar os canais de sódio e cálcio, e ao aumentar o GABA.
Aviso Importante:
O valproato é altamente prejudicial para fetos em desenvolvimento, mulheres em idade fértil!

Carbamazepina e Lamotrigina são os “batentes de porta” para os canais de sódio. Impedem que os neurónios disparem demasiado facilmente. Os dois fármacos constituem a terapia de primeira linha para epilepsias focais. Lamotrigina é particularmente bem tolerado e seguro na gravidez

Levetiracetam (Keppra) apresenta um mecanismo único, pois liga-se a uma proteína (SV2A) que regula a transmissão de sinais entre as células nervosas. Caracteriza-se por uma tolerabilidade muito boa e não tem interações com outros medicamentos. Possíveis efeitos secundários incluem alterações de humor e irritabilidade.

Topiramato Atua de quatro formas diferentes em simultâneo, sendo, por assim dizer, um “multitalento” que alcança uma elevada taxa de ausência de crises, entre 44 % e 83 % dos doentes. Como efeito secundário, podem ocorrer lentidão no raciocínio, bem como dificuldades em encontrar as palavras certas.

Etossuximida é utilizado em abstenções (breves “desmaios”). Bloqueia canais de cálcio específicos no tálamo (um centro de retransmissão no cérebro).

Fenobarbital e benzodiazepinas reforçam a ação do GABA (o “travão”). São económicos, eficazes, mas apresentam potencial de sedação e dependência (benzodiazepinas).

Óleos essenciais e epilepsia – o que é possível?

Em caso de epilepsia, deve ter-se especial cuidado!

Alguns óleos essenciais podem desencadear ou exacerbar convulsões (pró-convulsivantes). Fale SEMPRE com o seu neurologista antes de usar óleos essenciais.

Óleos a EVITAR com epilepsia:
- Alecrim (em doses elevadas – teor de cânfora)
- Eucalipto (em doses elevadas)
- Hortelã-pimenta (Salário em Pulegon)
- Funcho (Funcho em doses elevadas)
- Salva (Teor de tujona)
- Cânfora (direto pró-convulsivo)

Que óleos essenciais apresentam propriedades anticonvulsivantes?

Lavanda – calmante e anticonvulsivante

Lavanda (Lavandula angustifoliaé o óleo mais bem investigado para a epilepsia.

composição
– Linalol (25–45 %)
– Acetato de linalilo (25–50 %)

Efeito
– Ativam os recetores GABA-A (o “travão” do cérebro)
– Inibe canais de sódio (impede a libertação descontrolada)
– Diminui a propensão a convulsões

Efeitos clínicos
– Linalol prolongou significativamente o tempo até à primeira convulsão no modelo PTZ (modelo padrão para testes de convulsão) em testes em animais.
– Muitos pacientes relatam que a aromaterapia com lavanda retarda as convulsões ou alivia as auroras (sinais de aviso)
– Aplicar no difusor de aromas por inalação, mas nunca internamente sem aconselhamento médico

Alecrim/Borneol - neuroprotetor (com cautela!)

Borneol é um princípio ativo do alecrim e de outras plantas.

Efeito
– Protege os neurónios contra danos causados por convulsões repetidas; GABAérgico e neuroprotetor
– O borneol reduziu a gravidade das crises no modelo de kindling e diminuiu os marcadores inflamatórios (GFAP) em experiências com animais

Atenção: O óleo de rosmaninho em doses elevadas pode ser pró-convulsivante, ingira apenas borneol isolado ou em doses muito baixas

Orégãos – Carvacrol e Timol

Carvacrol (de orégãos e tomilho) demonstra interessantes propriedades anticonvulsivantes.

Efeito
– Inibe canais de sódio (como a carbamazepina)
– Modulam os recetores TRPV1 (recetores de calor e dor)
– Duração e gravidade reduzidas das convulsões em testes com animais

Eucalipto – 1,8-Cineol (com cuidado!)

1,8-Cineol O eucalipto mostra um efeito anticonvulsivo em modelos animais.

Efeito
– O sistema de NO (óxido nítrico) no cérebro
– Aumenta o limiar convulsivo (~25 mg/kg vs. ~10 mg/kg no grupo de controlo)
– Ativa o Nrf2 (fator de proteção antioxidante)

  • Atenção: Em doses elevadas pró-convulsivante, apenas em baixas doses e após consulta médica

Camomila – Apigenina e Sinergias

Camomila (Matricaria chamomilla) contém apigenina, um flavonoide com propriedades ansiolíticas e anticonvulsivantes.

Efeito
– A apigenina liga-se aos recetores GABA-A (no mesmo local da benzodiazepina, mas de forma muito mais fraca)
– Novo estudo (2025): a combinação de orégãos + camomila + lavanda (administrada intranasalmente) demonstrou ter um efeito anticonvulsivante sinérgico em modelo animal – melhor do que qualquer óleo isoladamente

  • Como complemento para acessos de leve intensidade ou para redução da ansiedade

β-Cariofileno – o anti-inflamatório

β-cariofileno O BCP está presente em pimenta preta, lavanda, alecrim e canábis.

Efeito
- Ativa os recetores CB2 (recetores canabinoides) sem efeito psicoativo
– Inibe o NF-κB (o interruptor inflamatório)
– Reduz a neuroinflamação, um ponto importante pois as inflamações podem agravar a epilepsia
– O BCP está também presente no óleo de cânhamo e pode ser parte do efeito dos extratos ricos em CBD

A planta mais importante Cannabis e CBD

CBD (Canabidiol) – o avanço clínico

CBD é um ingrediente ativo da planta de canábis (Cannabis sativa), mas sem o conhecido efeito psicoativo do THC. É o único antiepilético de origem vegetal oficialmente aprovado pela FDA (EUA) e EMA (Europa) com o nome Epidiolex foi admitido.
É administrado como medicamento sujeito a receita médica (Epidiolex) sob a forma de uma solução oleosa, 2 vezes por dia, por via oral.

Efeito
– Inibe canais de sódio (como a carbamazepina)
– Modula TRPV1 e GPR55 (receptores especiais)
– Anti-inflamatório através de recetores CB2 – Protege as células nervosas

Efeitos colaterais
– Sonolência, diarreia, apetite diminuído
– Pode aumentar o nível de outros antiepilépticos (especialmente o Clobazam), ajuste de dose necessário

Autorização para
- Síndrome de Dravet – Uma forma grave de epilepsia que se manifesta na idade infantil
- Síndrome de Lennox-Gastaut (SLG) – Epilepsia grave com múltiplos tipos de convulsão

Estudos
– No caso da síndrome de Dravet: o CBD reduziu a frequência das convulsões em 38,9 %, contra 13,3 % com o placebo, 66,7 % dos doentes tiveram ≥ 50 % menos crises (p = 0,009)
– No LGS: redução das quedas em 43,9 % vs. 21,8 % com placebo (p < 0,001)
– No caso de outras epilepsias farmacorresistentes: vários estudos indicam uma redução de 40 a 50 % no número de crises

Tabela de comparação – Onde é que ajuda?

Regra de segurança

Possivelmente útil (após consulta médica):

  • Aromaterapia com Lavanda (Difusor, Inalação) – relaxante, potencialmente redutora de crises
  • CBD (como Epidiolex) – para Dravet/LGS, sujeito a receita médica
  • β-Cariofileno – anti-inflamatório, bem tolerado
  • Camomila – calmante, ansiolítica

Com epilepsia EVITAR:

  • Óleo de alecrim (oral, doses elevadas) – A cânfora pode desencadear convulsões
  • Óleo de eucalipto (doses elevadas)
  • Óleo de hortelã-pimenta (doses elevadas, pulgeona)
  • Óleo de funcho Funcho
  • Óleo de salva Tujão
  • Óleo de rícino (direto pró-convulsivo)

Instruções Gerais de Segurança

  1. FALAR SEMPRE primeiro com o neurologista – A epilepsia é grave
  2. Nunca suspenda o antiepilepticamente por conta própria – pode levar a um estado epiléptico com risco de vida
  3. Tenha em atenção as interações: Alguns óleos podem alterar os níveis de antiepilépticos
  4. Nunca te esfolies tão a fundo. – sempre diluir
  5. Filhos: Cuidado especial, doses muito baixas

Perguntas frequentes

Posso tomar lavanda em vez dos meus medicamentos antiepiléticos?
Não, de forma alguma! A lavanda só demonstrou ter um efeito anticonvulsivante em testes com animais. Interromper a medicação antiepilética por conta própria pode ser perigoso.

E quanto ao óleo de CBD da internet?
Os produtos de CBD obtidos na internet não são o mesmo que o medicamento aprovado Epidiolex. Não são padronizados, podem conter outros canabinoides e não têm eficácia comprovada. Fale com o seu neurologista sobre o CBD prescrito.

A aromaterapia pode parar uma convulsão?
Existem relatos de que alguns pacientes conseguem retardar as crises através de certos cheiros (como lavanda), mas esta não é uma forma fiável nem substitui a medicação.

Os óleos essenciais são seguros para crianças com epilepsia?
Apenas após consulta expressa com o neuropediatra. As crianças reagem de forma mais sensível e alguns óleos são perigosos para crianças.

Tenho de comprar óleos caros?
Qualität ist wichtig: Achten Sie auf 100 % naturreine ätherische Öle, am besten mit am besten mit chargenspezifischem Analyse-Zertifikat (GC/MS).
Óleos de perfume baratos ou fragrâncias sintéticas não têm efeito terapêutico e, devido aos ingredientes sintéticos, podem ser prejudiciais à saúde, causando dores de cabeça, náuseas, etc.

Quem quiser saber mais sobre a seleção e qualidade de óleos essenciais, encontrará no artigo „Óleos Essenciais – A Odisseia de uma Busca“satisfeito.

Uma outra contribuição cita o Prof. Dr. Dr. Dr. med. habil. Hanns Hatt, da Universidade Ruhr de Bochum, que no seu vídeo „Cura com fragrâncias“Explica o efeito dos óleos essenciais no corpo humano de uma forma interessante, divertida e, ainda assim, científica.


Em resumo, este documento aborda a importância da acessibilidade digital, descreve os principais desafios relacionados com a inclusão de pessoas com deficiência no mundo online e propõe um conjunto de soluções práticas para garantir que todos os utilizadores possam aceder e interagir com conteúdos digitais. O objetivo é promover um ambiente online mais equitativo e inclusivo para todos. A implementação destas recomendações contribuirá para uma maior diversidade e participação na sociedade digital.

A epilepsia é uma doença neurológica grave em que as descargas elétricas no cérebro provocam crises, e em 30% dos doentes os medicamentos convencionais não são suficientemente eficazes.

Óleos essenciais e terpenos, em particular o linalol (lavanda), borneol e carvacrol, demonstraram ter propriedades anticonvulsivantes em estudos em animais através da ativação de GABA-A e inibição de canais de sódio; o CBD (canabidiol) é o único antiepilético vegetal com aprovação clínica (síndrome de Dravet, síndrome de Lennox-Gastaut).

Os óleos essenciais podem ser usados como coadjuvantes na epilepsia, mas apenas após consulta explícita com o neurologista tratante, pois alguns óleos também podem desencadear convulsões.


Este texto baseia-se no relatório científico “Epilepsia e Óleos Essenciais: Farmacologia, Mecanismos de Ação e Abordagens Terapêuticas Complementares” e destina-se exclusivamente a informação geral. A epilepsia é uma doença grave, pelo que, em caso de dúvidas sobre o tratamento, deve sempre consultar o seu neurologista.

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Produtos potencialmente seguros (de acordo com a literatura científica)

Óleos a EVITAR em caso de epilepsia

Misturas de óleos próprias (DIY-Blends)

Blend 1 – “Neuroprotektiv” (Difusor)

Objetivo: Proteção neuroprotetora, modulação do GABA

Aplicação: 30 minutos por dia no difusor, especialmente à noite

Mistura 2 – “Gestão de Aura” (Tópico, rápido)

Objetivo: Em caso de sintomas de aura: tentar interromper o ataque (APENAS como complemento, não como substituto da medicação de emergência)

Aplicação: Nas têmporas, pescoço, pulsos – imediatamente no início da aura
Medicação de emergência (por exemplo, Diazepam retal) continua a ser prioritária

Blend 3 – “Angst & Stressabbau” (Difusor/Tópico)

Objetivo: Stress ↓ (gatilho frequente para ataques), relaxamento ↑

Aplicação: Em situações de stresse ou antes de situações desencadeadoras conhecidas

Mistura 4 – “Sono e Descanso” (Noite)

Objetivo: Qualidade do sono ↑ (Falta de sono = gatilho de convulsões)

Aplicação: No difusor, 30 minutos antes de dormir

Mistura 5 – “Anti-inflamatório” (Tópico)

Objetivo: Neuroinflamação ↓ (Fisiopatologia da Epilepsia)

Aplicação: Massajar nas têmporas, pescoço e coluna vertebral

Protocolo de Aplicação – Plano de 4 Semanas

Semana 1 – Início cuidadoso

  • Consultar um médico ANTES de começar com os óleos
  • À noite: Misturar 4 no difusor (dormir)
  • Diariamente: Misturar 1 no difusor (30 min)
  • Registo de convulsões executar (Data, Hora, Gatilho)

Semana 2 – Expansão

  • Manhãs: Mistura 3 em situações de stress
  • À noite: Mistura 4 (Sono) + Mistura 5 tópica
  • Mistura 2: Estar preparado para situações de Aura

Semana 3-4 – Otimização

  • Avaliar protocolo de convulsões – mudou alguma coisa?
  • Neurologistas informam sobre aplicação de óleo
  • Adaptação com base na tolerância individual

Combinação com outros dōTERRA-O produto

Plano de Emergência em Caso de Convulsão

  1. Segurança: Pessoa em posição lateral de segurança
  2. Medir o tempo: Ataque com duração superior a 5 minutos → Emergência médica (112)
  3. Medicação de emergência: Diazepam Retal / Midazolam Nasal (conforme prescrito pelo médico)
  4. Sem óleo na boca ou nariz durante uma crise ativa
  5. Óleos essenciais não são medicação de emergência

Epilepsia e Óleos Essenciais – Farmacologia, Mecanismos de Ação e Abordagens Terapêuticas Complementares

Um relatório científico abrangente sobre antiepilépticos convencionais, terpenos e óleos essenciais – bases moleculares, evidências clínicas e estratégias terapêuticas adjuvantes

Fig. 1: Vias de sinalização molecular de antiepilépticos padrão e óleos essenciais na epilepsia – AEDs padrão (Valproato/Nav+GABA-T, Carbamazepina/Nav, Levetiracetam/SV2A, Topiramato/multimodal, Etoxissuccinimida/T-tipo-Ca2+, Fenobarbital/GABA-A) e terpenos (Linalol/GABA-A+Nav, Borneol/GABA-A+Nav, Carvacrol/Nav+TRPV1, β-Cariofileno/CB2, 1,8-Cineol/NO+Nrf2) com moléculas alvo convergentes (recetor GABA-A, canais Nav, glutamato NMDA/AMPA, NF-κB-Neuroinflamação, Nrf2-Stress Oxidativo)

Abb. 2: Morfologia de descargas epileptiformes interictais (IEDs).
Topo: Onda Aguda (70-200 ms) com Onda Lenta subsequente.
Ponto principal: Complexo ponta-onda de 3 Hz (GSWD) – Padrão característico da epilepsia de ausência.
Em baixo: Complexo Poliespicular (3-5 espículas, 4-5 Hz) – característico da Epilepsia Mioclónica Juvenil (EMJ).

Introdução

A epilepsia é uma das doenças neurológicas crónicas mais comuns a nível mundial e afeta cerca de 50 milhões de pessoas, o que corresponde a aproximadamente 1% da população mundial [D1]. É definida por uma predisposição persistente a crises epiléticas resultantes de descargas neuronais patologicamente sincronizadas, bem como pelas consequências neurobiológicas, cognitivas, psicológicas e sociais desta condição. [D2]. Apesar dos avanços significativos no desenvolvimento de medicamentos antiepilépticos (AEDs), cerca de 30% dos doentes continuam a sofrer de epilepsia farmacorresistente, na qual dois ou mais AEDs, utilizados de forma adequada, não conseguem controlar suficientemente as crises [D3].

O tratamento padrão da epilepsia inclui farmacoterapia escalonada com antiepiléticos de primeira, segunda e terceira geração. Valproato, carbamazepina e lamotrigina são considerados medicamentos de primeira linha para epilepsias focais e generalizadas; substâncias mais recentes como levetiracetam, topiramato, lacosamida e perampanel expandem o arsenal terapêutico. [D4]. Apesar da sua eficácia, os AEDs estão associados a efeitos secundários significativos, comprometimento cognitivo, teratogenicidade (valproato), depressão da medula óssea (carbamazepina), ganho de peso e distúrbios psiquiátricos, que afetam significativamente a qualidade de vida dos pacientes. [D5].

Neste contexto, o interesse científico em compostos vegetais e óleos essenciais como opções terapêuticas adjuvantes ou alternativas está a crescer. Numerosos terpenos e compostos bioativos demonstram propriedades anticonvulsivantes, neuroprotetoras, anti-neuroinflamatórias e antioxidantes em estudos pré-clínicos e clínicos, muitas vezes através de mecanismos que se comportam de forma complementar aos AEDs clássicos. [D6]. O canabidiol (CBD), como substância ativa vegetal extraída da cannabis sativa, já recebeu aprovações clínicas para síndromes epilépticas específicas e demonstra o potencial de compostos botânicos na terapia da epilepsia. [D7]. Este relatório analisa sistematicamente a farmacologia dos antiepiléticos de referência, os mecanismos moleculares de ação de óleos essenciais e terpenos relevantes, bem como a evidência clínica disponível para o seu uso adjuvante na epilepsia.

EEG na Epilepsia – Fundamentos e Princípios de Interpretação

O eletroencefalograma (EEG) é o principal instrumento de diagnóstico na epilepsia e permite a medição direta da atividade elétrica cortical através de elétrodos no escalpe. Serve para a classificação de crises, localização de focos e monitorização terapêutica.

Fase Interictal: O EEG entre as crises tipicamente mostra descargas epileptiformes interictais (IEAs): Picos (<70 ms), Ondas Agudas (70-200 ms) e Complexos Padrão-Onda de 3 Hz (CPODs na epilepsia de ausência). Estas IEAs surgem de descargas neuronais síncronas no foco epiléptico.

Fase Ictal: O EEG do ataque frequentemente inicia-se com atividade de baixa voltagem e rápida (LVFA, 20-35 Hz) como padrão de início. Com o tempo, desenvolve-se uma evolução rítmica teta-delta com aumento de amplitude. A terminação ocorre abruptamente, seguida de supressão pós-ictal.

Fase pós-ictal: Após o fim da crise, o EEG mostra supressão (redução acentuada da amplitude) seguida de lentificação difusa delta (0,5-3,5 Hz). A recuperação para atividade de fundo normal ocorre em minutos a horas, dependendo da duração e do tipo da crise.

Influência do β-cariofileno no EEG epiléptico: o β-cariofileno (BCP), um agonista CB2 sesquiterpenóide presente em óleos essenciais (por exemplo, pimenta preta, cravo), reduz a frequência das crises em 66% no modelo PTZ, aumenta a latência das crises em 187% e diminui a frequência dos picos em 27-68%. No EEG, observa-se uma normalização da potência espectral: a potência gama (marcador de hiperexcitabilidade) diminui, enquanto a potência delta aumenta. O mecanismo de ação envolve o agonismo CB2 (diminuição da neuroinflamação) e a modulação GABA-A (aumento do influxo de cloreto).

Fisiopatologia da epilepsia

Hipersincronização e hiperexcitabilidade neuronal

A fisiopatologia fundamental da epilepsia assenta num desequilíbrio entre a neurotransmissão excitatória e inibitória, que resulta em descargas neuronais epilépticas sincronizadas. A nível celular, uma crise epiléptica emerge da interação entre disfunções de canais iónicos, transmissão sináptica perturbada e atividade de rede alterada. [D8]. As mutações ou alterações funcionais nos canais de sódio (Nav), potássio (Kv) e cálcio (Cav) dependentes de voltagem, bem como nos canais iónicos controlados por ligando (GABA-A, NMDA), contribuem para a excitabilidade neuronal aumentada. [D9].

Fig. 3: Comparação de fases no EEG em casos de epilepsia.
Cima (azul): Fase interictal com IEDs (Picos <70 ms, Ondas agudas 70-200 ms, GSWDs de 3 Hz).
Meio (vermelho): Fase de Ictal – Início LVFA (20-35 Hz), Evolução Theta-Delta, Terminação abrupta.
Em baixo (violeta): Fase pós-ictal – Supressão do EEG, lentificação delta difusa (0,5-3,5 Hz)

Desequilíbrio GABA/Glutamato

O equilíbrio entre o neurotransmissor inibitório GABA (ácido gama-aminobutírico) e o neurotransmissor excitatório glutamato é crucial para o limiar convulsivo. A inibição GABAérgica diminuída, devido à redução da síntese de GABA, diminuição da densidade do recetor GABA-A ou aumento da atividade da GABA-transaminase, diminui o limiar convulsivo. [D10]. Simultaneamente, a ativação excessiva dos recetores de glutamato NMDA e AMPA promove a propagação da despolarização e as descargas epilépticas. Este desequilíbrio GABA/glutamato é o alvo farmacológico central da maioria dos AEDs [D11].

Disfunções do canal iónico

Os canais de sódio dependentes de voltagem (Nav1.1, Nav1.2, Nav1.6) desempenham um papel crucial na geração e propagação do potencial de ação. Mutações de ganho de função no Nav1.1 (Síndrome de Dravet) ou no Nav1.2 levam a descargas não controladas. [D12]. Os canais de cálcio do tipo T (Cav3.1, Cav3.2) são centrais na epilepsia de ausência: a sua ativação rítmica no tálamo gera as descargas características de "spike-wave" de 3 Hz. [D13]. Os defeitos nos canais de potássio (KCNQ2/3, KCNT1) afetam a repolarização e aumentam a predisposição a convulsões.

Neuroinflamação e stress oxidativo

A epilepsia crónica está associada a neuroinflamação persistente: microglia e astrócitos ativados libertam citocinas pró-inflamatórias (IL-1β, IL-6, TNF-α), que desestabilizam a barreira hematoencefálica e aumentam a excitabilidade neuronal. [D14]. O fator de transcrição NF-κB coordena essa cascata neuroinflamatória. Simultaneamente, as convulsões repetitivas levam ao stress oxidativo devido à disfunção mitocondrial e à produção de ROS, promovendo a apoptose neuronal e a esclerose do hipocampo. [D15]. A via de sinalização Nrf2, como regulador mestre da resposta antioxidante, está frequentemente suprimida na epilepsia farmacoresistente.

Mecanismos de farmacoresistência

Em 30% dos doentes com epilepsia, dois ou mais medicamentos antiepilépticos (AED) revelam-se ineficazes. A resistência farmacológica resulta de: (1) a sobreexpressão da glicoproteína P (P-gp/MDR1) e de outros transportadores ABC, que facilitam a excreção dos AED do cérebro; (2) alterações nas estruturas-alvo dos AEDs (por exemplo, mutações no canal Nav que reduzem a ligação da fenitoína); (3) variantes farmacogenéticas no metabolismo do CYP; (4) neuroinflamação, que altera a permeabilidade da barreira hematoencefálica [D16].

Farmacologia dos antiepiléticos de linha de base

Bloqueadores dos canais de sódio – Carbamazepina, Lamotrigina, Fenitoína, Lacosamida

Os bloqueadores dos canais de sódio são a classe mais comum e antiga de AEDs. Ligam-se ao estado inativado dos canais de sódio dependentes de voltagem (Nav1.1–Nav1.6), prolongando a sua duração de inativação, o princípio do “bloqueio dependente da utilização”.” [D8]. Carbamazepina (CBZ) e oxcarbazepina são terapia de primeira linha para epilepsias focais; a lamotrigina inibe adicionalmente a libertação pré-sináptica de glutamato e é particularmente eficaz na síndrome de Lennox-Gastaut e na epilepsia de ausência. [D17]. A Fenitoína/Fosfenitoína estabiliza o estado inativado do canal Nav e é uma medicação padrão no *status epilepticus*. A Lacosamida (geração mais recente) aumenta a “inativação lenta” dos canais Nav através de um mecanismo único, exibindo uma farmacocinética favorável. [D18].

Eficácia clínica: a carbamazepina consegue a ausência de crises em 40–50 % dos doentes com epilepsia focal quando utilizada em monoterapia; a lamotrigina apresenta uma eficácia comparável, com um melhor perfil de tolerabilidade, especialmente em mulheres em idade fértil [D4].

Valproato – Antiepilético de largo espectro

O ácido valproico (valproato/VPA) é o antiepiléptico de largo espectro mais importante com múltiplos mecanismos de ação: inibição de canais de sódio dependentes de voltagem, redução das correntes de cálcio do tipo T, inibição da GABA-transaminase (GABA-T) com consequente aumento do GABA, bem como ativação da glutamato-descarboxilase (GAD). [D19]. O valproato é o tratamento de primeira linha para as epilepsias generalizadas (epilepsia mioclónica juvenil, epilepsia de ausências, síndrome de Lennox-Gastaut) e permite alcançar a ausência de crises em 50–70 % dos doentes com epilepsia generalizada idiopática [D4]. Crítico: O valproato é altamente teratogénico (defeitos do tubo neural, deficiências cognitivas no recém-nascido) e só deve ser utilizado em mulheres em idade fértil após uma criteriosa avaliação do benefício/risco [D5].

Levetiracetam – Ligação SV2A

O levetiracetam (LEV) tem um mecanismo de ação único: liga-se seletivamente à proteína 2A do Vésiculo Sináptico (SV2A), que regula a exocitose de neurotransmissores [D20]. A ligação de SV2A pelo LEV reduz a libertação de neurotransmissores pré-sinápticos em descargas de alta frequência, um mecanismo “dependente da frequência” que afeta minimamente a transmissão sináptica normal. O LEV é uma terapia de primeira linha para epilepsias focais e generalizadas, demonstra uma excelente farmacocinética (sem indução enzimática, sem ligação a proteínas) e é relativamente seguro na gravidez. [D20]. Efeito secundário importante: alterações comportamentais (irritabilidade, depressão) em até 15% dos doentes.

Topiramato – Mecanismo Multimodal

Topiramato (TPM) é um AED multimodal com pelo menos quatro mecanismos de ação:

  • Bloqueio dos canais de sódio dependentes de voltagem,
  • Reforço da inibição gabaérgica nos recetores GABA-A
  • Antagonismo nos recetores de glutamato AMPA/Cainato
  • Inibição da anidrase carbónica (CA-II, CA-IV) [D21]

Estudos clínicos revelam taxas de ausência de crises de 44–83 % (6–7 meses) e 41–76 % (12–13 meses) em estudos comparativos de monoterapia; o topiramato apresenta uma eficácia comparável à do valproato e da carbamazepina [D21]. Efeitos secundários importantes: comprometimento cognitivo (“dificuldades em encontrar palavras”), perda de peso, pedras nos rins.

Moduladores GABA-A – Fenobarbital, Benzodiazepinas, Vigabatrina

O fenobarbital (barbitúrico) e as benzodiazepinas (diazepam, clonazepam, clobazam) potenciam a inibição mediada por cloreto através do recetor GABA-A: os barbitúricos aumentam a duração da abertura do canal de cloreto, as benzodiazepinas aumentam a frequência de abertura. [D22]. O fenobarbital é um dos AEDs mais antigos e baratos, usado frequentemente em países em desenvolvimento, mas com potencial sedativo considerável. A vigabatrina inibe irreversivelmente a GABA-transaminase (GABA-T), aumentando assim a concentração de GABA no cérebro; é eficaz em espasmos infantis, mas associada a defeitos irreversíveis do campo visual. [D23].

Etossuximida – Bloqueador dos canais de cálcio tipo T

O ethosuximida (ESM) é um bloqueador seletivo dos canais de cálcio do tipo T (Cav3.1/3.2) e a terapia de primeira linha na epilepsia de ausência infantil. [D13]. Os canais do tipo T geram as descargas rítmicas do tálamo que caracterizam as crises de ausência; o seu bloqueio interrompe eficazmente este ciclo. A etosuximida é tão eficaz na epilepsia de ausência quanto o valproato (absência de crises ~50–60 %), mas tem menos efeitos secundários [D13].

Novos AEDs – Lacosamida, Perampanel, Brivaracetam

A Lacosamida (LCM) reforça seletivamente a “inativação lenta” dos canais de sódio dependentes de voltagem e inibe a Proteína Mediadora da Resposta ao Colapsamento 2 (CRMP-2). [D18]. O perampanel (PER) é o primeiro antagonista seletivo não competitivo do recetor de glutamato AMPA e é particularmente eficaz em crises tónico-clónicas generalizadas farmacorresistentes [D24]. O Brivaracetam (BRV), tal como o Levetiracetam, liga-se à SV2A, mas com uma afinidade 10 vezes superior e um início de ação mais rápido. [D25].

Óleos essenciais como terapia adjuvante – bases mecanísticas

Farmacocinética e penetração no SNC

Os terpenos dos óleos essenciais distinguem-se por alta lipofilia e baixa massa molecular (< 300 Da), o que permite uma penetração eficiente da barreira hematoencefálica (BHE). [D26]. Com a inalação, os terpenos voláteis são transportados através da mucosa olfativa diretamente para o bulbo olfatório e o sistema límbico, um caminho direto que contorna a BHE e leva a concentrações mensuráveis no SNC em minutos. [D27]. A aplicação transdérmica e oral permite a absorção sistémica; a biodisponibilidade oral varia consideravelmente consoante o terpeno e a formulação.

Mecanismos antivulgares fundamentais

Os óleos essenciais e os seus terpenos podem atuar através de vários mecanismos anticonvulsivantes que se sobrepõem aos dos antiepilépticos clássicos:

  • Modulação de canais de sódio dependentes de voltagem (Linalol, Borneol, Carvacrol, Timol)
  • Reforço da inibição GABAérgica em recetores GABA-A (Linalol, Borneol, Timol, Apigenina)
  • Inibição da excitação glutamatérgica em recetores NMDA/AMPA
  • Neuroproteção antioxidativa através da ativação de Nrf2; (5) Efeito anti-neuroinflamatório através da inibição de NF-κB (β-cariofileno) [D28].

Propriedades neuroprotetoras

Muitos terpenos exibem propriedades neuroprotetoras que vão além do efeito anticonvulsivante direto. Ao inibir vias de sinalização da apoptose (caspase-3, rácio Bax/Bcl-2), reduzir a peroxidação lipídica (níveis de MDA) e aumentar as atividades de enzimas antioxidantes (SOD, CAT, GPx), os terpenos protegem contra danos neuronais induzidos por convulsões. [D29]. Estas propriedades neuroprotetoras são particularmente relevantes na epilepsia refratária a fármacos, onde as crises repetitivas levam a danos cerebrais progressivos.

Mecanismos de ação complementares aos antiepilépticos convencionais

A seguinte tabela mostra os mecanismos de ação complementares dos óleos essenciais em comparação com os antiepilépticos convencionais a nível molecular:

Fig. 4: Vias de sinalização molecular dos antiepilépticos padrão e óleos essenciais na epilepsia
AEDs de Padrão (Valproato/Nav+GABA-T, Carbamazepina/Nav, Levetiracetam/SV2A, Topiramato/multimodal, Etossuximida/T-Tipo-Ca²⁺, Fenobarbital/GABA-A) e terpenos (Linalol/GABA-A+Nav, Borneol/GABA-A+Nav, Carvacrol/Nav+TRPV1, β-Cariofileno/CB2, 1,8-Cineol/NO+Nrf2) com alvos moleculares convergentes (GABA-A, Nav, NMDA/AMPA, NF-κB, Nrf2/ARE).

Óleos essenciais específicos e evidências clínicas

Óleo de lavanda (Lavandula angustifolia) – Linalol

O óleo de lavanda é o óleo essencial mais estudado no contexto das doenças neurais. O principal princípio ativo, o linalol (25–45 %), demonstra propriedades anticonvulsivas em estudos pré-clínicos: num modelo com pentilentetrazol (PTZ), a inalação de linalol aumentou o limiar convulsivo, prolongou a latência até à primeira convulsão e reduziu a duração da convulsão [D30]. O Linalol inibe mecanisticamente os canais de sódio dependentes de voltagem, aumentando o limiar do potencial de ação e reduzindo a velocidade de despolarização, bem como modulando os fluxos de potássio ativados por cálcio. [D31]. Um estudo piloto sobre o treino olfativo em doentes com epilepsia (n=11) utilizou a lavanda como estímulo de condicionamento olfativo e revelou uma redução das crises de ≥ 50 % em 6 dos 11 doentes, tendo os autores salientado a escassez de dados disponíveis [D32].

Num estudo com vários óleos essenciais num modelo de rato PTZ, a *Lavandula angustifolia* demonstrou uma extensão significativa da latência de convulsão (p < 0,05) e uma redução na gravidade das convulsões em comparação com o grupo de controlo. [D33]. Silexan (80 mg por via oral, extrato de lavanda estandardizado) é clinicamente validado para transtornos de ansiedade e pode ser usado como adjuvante para ansiedade associada à epilepsia [D34].

Óleo de canábis / Canabidiol (CBD)

O canabidiol (CBD) é a substância vegetal mais conhecida com efeitos antiepiléticos comprovados clinicamente. Como fitocanabinoide não psicoativo da Cannabis sativa, o CBD tem múltiplos mecanismos antiepiléticos: antagonismo no GPR55 (receptor de lisofosfatidilinositol), modulação dos canais TRPV1, inibição dos canais de sódio dependentes de voltagem e modulação do sistema endocanabinoide. [D35]. O CBD farmacêutico (Epidiolex®) é aprovado pela FDA (2018) e EMA (2019) para síndrome de Dravet e síndrome de Lennox-Gastaut [D7].

Evidência clínica: Em ensaios clínicos de fase III controlados por placebo na síndrome de Dravet (n = 120), o CBD (20 mg/kg/dia) reduziu a frequência mensal de crises convulsivas em 38,9 %, em comparação com 13,3 % no grupo do placebo (p = 0,01) [D7]. No caso da síndrome de Lennox-Gastaut (n=225), o CBD reduziu as crises de queda em 43,9 %, em comparação com 21,8 % no grupo do placebo (p < 0,001) [D36]. Num estudo triplo-cego sobre epilepsia refratária do lobo frontal (n = 27), 66,7 % dos doentes tratados com CBD apresentaram melhorias após 4 semanas, em comparação com 20,0 % no grupo do placebo (diferença média de 45,58; IC 95%: 8,99–82,18; p = 0,009) [D37].

Óleo de rosmaninho (Rosmarinus officinalis) – Borneol, 1,8-Cineol

O óleo de alecrim contém borneol (até 20 % em peso), 1,8-cineol/eucaliptol (35–50 % em peso), cânfora (10–20 % em peso) e α-pineno [D38]. O borneol demonstra efeitos antiepilépticos num modelo de *kindling* PTZ, reduzindo a progressão convulsiva, diminuindo os marcadores GFAP (neuroinflamação) no hipocampo, mitigando o stress oxidativo e modulando a transmissão GABAérgica. [D39]. O 1,8-cineol aumentou, num teste de limiar de PTZ, o limiar convulsivo (~25 mg/kg vs. ~10 mg/kg no controlo) e reduziu os níveis de malondialdeído (MDA), um marcador de stress oxidativo. [D40]. No estudo PTZ-oleosidade múltipla, o Rosmarinus officinalis demonstrou um prolongamento significativo da latência de convulsão e uma redução da gravidade da convulsão. [D33].

Óleo de Orégãos/Tomilho – Carvacrol e Timol

Carvacrol (Orégãos, Tomilho, Serpol) e Timol (Tomilho) são fenois monoterpénicos estruturalmente relacionados com atividade anticonvulsivante comprovada [D41]. O carvacrol inibe canais de sódio dependentes de voltagem (Nav1.2, Nav1.4) e canais TRPV1, aumenta a inibição gabaérgica e demonstra efeitos anticonvulsivantes em modelos de PTZ e ácido caínico. [D42]. O timol modula positivamente os recetores GABA-A de forma alostérica (semelhante aos barbitúricos) e inibe os canais de sódio dependentes de voltagem. [D43]. Restrição importante: num estudo em animais, o óleo de Origanum vulgare apresentou efeitos tóxicos na concentração testada (100 % de mortalidade), o que sublinha a importância de uma dosagem e formulação padronizadas [D33].

Óleo essencial de Eucalipto (Eucalyptus globulus) – 1,8-Cineol

O óleo de eucalipto contém 60–90 % de 1,8-cineol (eucaliptol), um óxido de monoterpeno com propriedades anticonvulsivas, anti-inflamatórias e antioxidantes [D44]. 1,8-Cineol modula o sistema do óxido nítrico (NO), que desempenha um papel bidirecional complexo na regulação de convulsões: níveis baixos de NO podem ser anticonvulsivantes, enquanto níveis elevados de NO podem ser pró-convulsivantes. Num modelo com PTZ, o 1,8-cineol aumentou significativamente o limiar convulsivo e reduziu a peroxidação lipídica. [D40]. A inalação de óleo de eucalipto demonstra também efeitos anti-neuroinflamatórios através da inibição do NF-κB e da redução de citocinas pró-inflamatórias [D45].

Óleo de Incenso (Boswellia sacra) – α-Pineno, Ácidos Boswélicos

O óleo de incenso contém α-pineno (até 75%), limoneno e ácidos boswélicos não voláteis [D46]. A α-pineno inibe a acetilcolinesterase e tem propriedades ansiolíticas; os ácidos boswélicos (AKBA) inibem a 5-lipoxigenase e o NF-κB, reduzindo processos neuroinflamatórios na epilepsia. Em modelos animais, o extrato de Boswellia demonstrou efeitos neuroprotetores após convulsões induzidas por ácido caínico: redução da perda de neurónios do hipocampo, diminuição da expressão de GFAP e redução dos níveis de IL-1β. [D47]. Incensol acetato do incenso ativa os canais TRPV3 e demonstra efeitos ansiolíticos independentemente dos recetores GABA-A ou opioides.

Óleo de Camomila (Matricaria chamomilla) – Apigenina, α-Bisabolol

O óleo de camomila contém α-bisabolol (até 50 %), camazuleno e o flavonoide apigenina [D48]. A apigenina liga-se ao local de ligação das benzodiazepinas do recetor GABA-A (Ki = 4 µM) e demonstra propriedades ansiolíticas e anticonvulsivantes sem sedação em modelos pré-clínicos. [D49]. Num estudo de sinergismo (2025), a combinação de orégãos, camomila e lavanda (intranasal) demonstrou atividade anticonvulsivante sinérgica no modelo PTZ, com redução significativa na frequência de convulsões (p < 0,05) e efeitos otimizados em doses mais baixas combinadas quando comparado com substâncias únicas. [D50].

Óleo de funcho (Foeniculum vulgare) – trans-Anetol

O óleo de erva-doce contém trans-anetol (50–80 %), fenchona e estragol. O trans-anetol modula os recetores GABA-A e inibe os recetores NMDA de glutamato, o que explica os efeitos anticonvulsivos observados em modelos animais [D28]. No entanto, o fenchona (um componente do óleo de funcho) possui propriedades pró-convulsivantes e pode desencadear convulsões, o que realça a importância de preparações padronizadas de óleo de funcho com baixo teor de fenchona para aplicações terapêuticas.

Mecanismos moleculares de ação dos terpenos na epilepsia

Linalol – Inibição de canais de sódio e modulação de GABA-A

Linalol (3,7-Dimetil-1,6-octadien-3-ol), o monoterpeno principal em lavanda e coentro, exibe efeitos dependentes da dose na excitabilidade neuronal. Em neurónios isolados, o linalol aumenta o limiar do potencial de ação e reduz a velocidade de subida, ambos indicadores de inibição dos canais de sódio. [D31]. Simultaneamente, o linalol ativa canais de potássio dependentes de cálcio (canais BK), que aceleram a repolarização e reduzem a frequência de disparo. A modulação GABA-A pelo linalol aumenta a inibição mediada por cloreto. [D30]. Importante: Em doses elevadas, o linalol pode ter um efeito paradoxalmente excitante, o que salienta a importância da otimização da dose.

Borneol – Modulação GABAérgica e Neuroproteção

Borneol (2-Bornanol), um álcool monoterpénico bicíclico do cânfora e do alecrim, demonstra efeitos antiepilépticos no modelo de kindling PTZ. Modula a transmissão GABAérgica, reduz o stress oxidativo (níveis de MDA diminuídos, aumento da atividade SOD) e diminui marcadores de neuroinflamação (GFAP) no hipocampo. [D39]. O borneol inibe também os canais de sódio dependentes de voltagem e demonstra efeitos anticonvulsivantes sinérgicos em combinação com AEDs standard em modelos animais.

Carvacrol e timol – bloqueio do canal Nav e modulação do GABA-A

Carvacrol (5-Isopropil-2-metilfenol) e Timol (2-Isopropil-5-metilfenol) são fenóis monoterpénicos isómeros estruturais com mecanismos de ação semelhantes, mas não idênticos. O carvacrol inibe os canais de sódio Nav1.2 e Nav1.4, bem como os canais TRPV1, apresentando efeitos neuroprotetores em modelos de ácido kaínico. [D42]. O timol modula positivamente os recetores GABA-A de forma alostérica num local de ligação semelhante ao dos barbitúricos e inibe os canais de sódio dependentes de voltagem, um mecanismo duplo semelhante ao do fenobarbital. [D43].

β-Cariofileno – Agonismo CB2 e Anti-Neuroinflamação

A β-cariofileno (BCP), um sesquiterpeno bicíclico da pimenta preta e do cravo, atua como um agonista seletivo do recetor canabinoide CB2 e exibe efeitos anticonvulsivantes e neuroprotetores em modelos animais. [D51]. Os efeitos anticonvulsivantes do BCP são parcialmente mediados por mecanismos GABAérgicos, sistemas serotoninérgicos e nitrérgicos. A inibição do NF-κB pelo BCP reduz os processos neuroinflamatórios que contribuem para a epileptogénese. Num modelo de rato, o BCP reduziu significativamente a frequência de convulsões induzidas por PTZ e mostrou efeitos neuroprotetores no hipocampo. [D52].

Abb. 5: β-Cariofileno (BCP) — Anticonvulsivante
e efeitos no modelo PTZ e mecanismo de ação
Controlo — 3 convulsões em 20 s, frequência de picos elevada
B: BCP 200 mg/kg — 1 crise (↓66 %), latência ↑187 %, picos ↓68 %.
C: Frequência de picos dependente da dose (↓27–68 %).
D: Potência espectral — Potência Gamma ↓, Potência Delta ↑ (Normalização).
E: Mecanismo de Ação — BCP → CB2 (↓Neuroinflamação) + GABA-A (↑Entrada de cloreto → ↓Hipexçitabilidade).

1,8-Cineol – Sistema NO e Neuroproteção Antioxidante

1,8-Cineol (Eucaliptol), o monoterpeno principal nos óleos de eucalipto e alecrim, modula o sistema de óxido nítrico (NO) e exibe neuroproteção antioxidante [D40]. Num teste de limiar PTZ, o 1,8-cineol aumentou significativamente o limiar de convulsão (~25 mg/kg vs. ~10 mg/kg do grupo de controlo) e reduziu os níveis de malondialdeído (MDA) como marcador de peroxidação lipídica. Adicionalmente, o 1,8-cineol inibe processos neuroinflamatórios dependentes de NF-κB e ativa a via de sinalização Nrf2 para neuroproteção antioxidante.

Novos e complementares óleos essenciais

Óleo de Melissa (Melissa officinalis) Ácido rosmarínico

O óleo de melissa contém ácido rosmarínico, citral, citronelal e geraniol [D53]. O ácido rosmarínico inibe a GABA-transaminase (GABA-T), o mesmo mecanismo que o vigabatrina, aumentando assim a inibição GABAérgica. Adicionalmente, o ácido rosmarínico demonstra propriedades antioxidantes e anti-neuroinflamatórias através da inibição da COX-2 e NF-κB. Em modelos animais, o extrato de erva-cidreira mostrou efeitos anticonvulsivantes em convulsões induzidas por PTZ.

Óleo de hortelã-pimenta (Mentha piperita) – Mentol, Pulegona

O óleo de hortelã-pimenta contém mentol (30–55 %), mentona (14–32 %) e pulegona (< 1 %). No estudo PTZ com óleos múltiplos, a Mentha piperita não provocou convulsões na concentração testada e apresentou uma taxa de sobrevivência de 100%, o melhor perfil de segurança de todos os óleos testados [D33]. O mentol ativa os canais de frio TRPM8 e modula os canais de sódio; demonstra propriedades analgésicas e ligeiramente anticonvulsivantes. Importante: A pulegona em altas concentrações é hepatotóxica e pró-convulsivante.

Óleo de Cominho Negro (Nigella sativa) – Timocuinona

O óleo de cominho preto contém timoquinona (TQ, 30–48 %), que apresenta fortes propriedades anticonvulsivas, neuroprotetoras e antineuroinflamatórias [D54]. TQ inibe os recetores NMDA de glutamato, ativa os recetores GABA-A e demonstra eficácia comparável à valproato em modelos animais de convulsões induzidas por PTZ. TQ ativa Nrf2 e inibe NF-κB, reduzindo o stress oxidativo e a neuroinflamação na epilepsia.

Extrato de Cânhamo – CBD e outros canabinoides

Além do CDB farmacêutico, a Cannabis sativa contém outros canabinoides com eficácia anticonvulsivante: o CBDV (canabidivarina) demonstra eficácia em ensaios clínicos em crises focais; o THCV (tetrahidrocanabivarina) tem propriedades anticonvulsivantes em modelos animais; o CBG (canabigerol) demonstra efeitos neuroprotetores. [D55]. O fenómeno do entourage descreve os efeitos sinérgicos entre diferentes canabinoides e terpenos no extrato de canábis de espectro completo.

Evidência clínica em comparação com a terapia padrão

Ensaios clínicos randomizados (ECR)

A evidência clínica relativa aos óleos essenciais na epilepsia é, com exceção do CBD farmacêutico, predominantemente pré-clínica. O CBD demonstrou uma eficácia convincente em vários ensaios clínicos aleatórios de fase III no síndrome de Dravet e no síndrome de Lennox-Gastaut: redução das crises convulsivas em 38,9% (Dravet, p = 0,01) e das crises de queda em 43,9% (LGS, p < 0,001) [D7] [D36]. Num estudo triplo-cego sobre a epilepsia refratária do lobo frontal (n = 27), o CBD demonstrou uma superioridade significativa em relação ao placebo (66,7 % de respondedores % vs. 20,0 % de respondedores %, p = 0,009) [D37].

Modelos animais pré-clínicos

Num modelo de rato PTZ com vários óleos essenciais (Lavandula angustifolia, Rosmarinus officinalis, Mentha piperita, Origanum majorana), todos os óleos testados (exceto Origanum vulgare) demonstraram prolongamentos significativos na latência de convulsão e reduções na gravidade da convulsão em comparação com o grupo de controlo (p < 0,05) [D33]. Um estudo de sinergismo (2025) com a aplicação intranasal combinada de óleos de orégãos, camomila e lavanda demonstrou efeitos anticonvulsivantes sinérgicos que excederam a soma dos efeitos individuais. [D50].

Treino olfativo na epilepsia

Um estudo piloto sobre treino olfativo (aromaterapia de alerta de convulsão) em pacientes com epilepsia (n=11) utilizou estímulos olfativos condicionados (lavanda, jasmim) para previsão e controle de convulsões. [D32]. 6 dos 11 doentes apresentaram uma redução das crises ≥ 50%. O princípio baseia-se no condicionamento das conexões olfativas-límbicas, que podem ter um efeito modulador das crises.

Tabela comparativa – Óleos essenciais vs. Medicamentos antiepiléticos padrão

Conclusão comum

A epilepsia é uma doença neurobiológica complexa que requer uma farmacoterapia precisa e individualizada. A presente análise demonstra que os óleos essenciais e os seus terpenos apresentam mecanismos de ação complementares aos antiepiléticos de referência e possuem potenciais clinicamente relevantes em áreas específicas, nomeadamente neuroproteção, neuroinflamação e modulação adjuvante das crises.

O canabidiol (CBD), enquanto princípio ativo de origem vegetal, deu o passo decisivo da fase pré-clínica para a autorização clínica, demonstrando que os compostos botânicos podem ser eficazes no tratamento da epilepsia farmacorresistente. A aprovação do Epidiolex® para a síndrome de Dravet e a síndrome de Lennox-Gastaut, com reduções das convulsões de 38,9–43,9 % (p < 0,001), representa uma mudança de paradigma no tratamento da epilepsia.

Para outros óleos essenciais, como lavanda (linalol), alecrim (borneol), eucalipto (1,8-cineol), camomila (apigenina), cominho preto (timoquinona), existe uma sólida base de evidências pré-clínicas com efeitos anticonvulsivantes, neuroprotetores e anti-neuroinflamatórios consistentes em modelos animais. O estudo de sinergismo (2025) com a aplicação intranasal combinada de orégãos, camomila e lavanda demonstra que formulações combinadas podem alcançar efeitos sinérgicos que transcendem os de substâncias únicas.

Para a prática clínica, recomenda-se uma abordagem integrada: AEDs padrão como terapia de base para epilepsia diagnosticada, complementada por óleos essenciais adjuvantes (nomeadamente CBD para farmacorresistência, lavanda para ansiedade/distúrbios do sono, borneol/1,8-cineol para neuroproteção) sob supervisão médica. A investigação futura deve realizar ensaios clínicos padronizados com preparações de óleo definidas, critérios claros de diagnóstico de epilepsia e desfechos validados (frequência e gravidade das crises, qualidade de vida, biomarcadores).

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Glossário

1,8-Cineol
Monoterpeno em Eucalipto/Alecrim; Sistema NO + Nrf2; anticonvulsivante, neuroprotetor

DEA
Medicamento Antiepilético – Antiepileptikum; Medikament zur Anfallsunterdrückung

AMPA
Receptor alfa-amino-3-hidroxi-5-metil-4-isoxazolpropiónico – receptor ionotrópico de glutamato; alvo do Topiramato, Perampanelo

Limiar de ataque
Intensidade mínima de estímulo que desencadeia uma convulsão epiléptica; modulável por AEDs e terpenos

Apigenina
Flavonóides na camomila; GABA-A (Sítio BZD, Ki = 4 µM); ansiolítico, anticonvulsivante

β-cariofileno
Sesquiterpeno bicíclico; Agonista CB2 + Inibidor NF-κB; anti-neuroinflamatório

Borneol
Álcool monoterpénico bicíclico em rosmaninho/cânfora; GABA-A + Nav; neuroprotetor

Carbamazepina
Bloqueador do canal Nav; Terapia de primeira linha para epilepsia focal; Risco de agranulocitose

Carvacrol
Monoterpenofenol em Orégãos/Tomilho; Nav + TRPV1 + GABA-A; anticonvulsivante

Canal Cav
Canal de cálcio dependente de voltagem; tipo T (Cav3.1/3.2) alvo de etossuximida e valproato

CB2
Receptor Canabinoide Tipo 2 – anti-neuroinflamatório; alvo de β-Cariofileno e CBD

CBD
Canabidiol – fitocanabinoide não psicoativo; aprovado pela FDA/EMA para Drave e LGS

Síndrome de Dravet
Forma grave de epilepsia com mutação SCN1A; terapia com CBD clinicamente aprovada (Epidiolex)

Efeito entourage
Efeito sinérgico de múltiplos canabinoides e terpenos em extrato de canábis de espetro total

Epidiolex
Preparações farmacêuticas de CBD; aprovadas para a Síndrome de Dravet e Síndrome de Lennox-Gastaut

Epilepsia
Doença neurológica crónica com uma predisposição persistente a crises epilépticas; afeta ~50 milhões de pessoas em todo o mundo

Etossuximida
Bloqueador de canais de cálcio do tipo T; Terapia de primeira linha para epilepsia de ausência

Funcho
Componente óleo de funcho; pró-convulsivante em doses elevadas – Substância de risco

GABA-A
Receptor GABA ionotrópico com canal de cloreto; alvo de fenobarbital, benzodiazepinas, linalol, borneol

GABA-T
GABA-transaminase – Enzima que degrada o GABA; inibida por vigabatrina e ácido rosmarínico

GFAP
Proteína Ácida Fibrilar Glial – Marcador de Ativação Astroglial e Neuroinflamação

GPR55
Receptor acoplado à proteína G 55 – Receptor de lisofosfatidilinositol; alvo do CBD

Hipocampo esclerose
A causa mais comum de epilepsia do lobo temporal farmacoresistente; por crises repetitivas

Acendalhas
Modelo experimental de epilepsia por estimulação supraliminar repetida

Canal K-V
Canal de potássio dependente de voltagem; regula a repolarização e o limiar convulsivo

Lacosamida
Inativação lenta dos canais de sódio; nova geração; boa tolerabilidade

Lamotrigina
Bloqueador dos canais Nav + Inibição do glutamato; bem tolerado; monoterapia de primeira linha

Levetiracetam
SV2A-Binder; excelente farmacocinética; alterações comportamentais como EA

LGS
Síndrome de Lennox-Gastaut – epilepsia grave com múltiplos tipos de convulsões; aprovado pelo CBD

Linalol
Monoterpenos em lavanda/coentro; modulação GABA-A + inibição do Nav; anticonvulsivante

Acetato de linalilo
Cabeça de lavanda; sedativo, ansiolítico; sinérgico com linalol

MDA
Malondialdeído – Marcador de peroxidação lipídica e stress oxidativo

Canal de navegação
Canal de sódio dependente de voltagem (Nav1.1-Nav1.6); principal alvo de carbamazepina, lamotrigina, fenitoína

NF-κB
Fator Nuclear kappa B – Regulador Principal da Neuroinflamação; inibido por BCP, 1,8-Cineol

NMDA
Recetor N-Metil-D-Aspartato – recetor ionotrópico de glutamato; alvo de cetamina, memantina, trans-anetol

Nrf2
Fator nuclear eritroide 2 relacionado com fator 2 – fator transcricional antioxidante; ativado por terpenos

Glicoproteína P
MDR1/ABCB1 – Transportador de efusão; sobreexpresso na epilepsia farmacoresistente

Perampanel
AMPA-Antagonista; eficaz em epilepsia generalizada farmacorresistente

Resistência a fármacos
Falha de ≥ 2 DEA utilizados de forma adequada; afeta cerca de 30% dos doentes com epilepsia

Fenobarbital
Potenciação do GABA-A; AED mais antigo; barato; sedação

PTZ
Pentilenotetrazol – agente convulsivante; modelo padrão para testar substâncias anticonvulsivantes

Pulegon
Componente óleo de hortelã-pimenta; hepatotóxico e pró-convulsivo em doses elevadas

Ácido rosmarínico
Polifenol em Melisa; Inibidor de GABA-T; antioxidante, anticonvulsivante

SOD
Superoxido dismutase – enzima antioxidante; aumentada por terpenos neuroprotetores

Estado epiléptico
Convulsão com risco de vida > 5 minutos ou convulsões seriais sem recuperação

SV2A
Proteína Sináptica 2A – Alvo do Levetiracetam e Brivaracetam; regula a exocitose de neurotransmissores

Timol
Monoterpenofenol em tomilho; GABA-A (sítio do barbitúrico) + Nav; anticonvulsivante

Timoquinona
Princípio ativo: Óleo de cominho preto; inibição NMDA + GABA-A; anticonvulsivante

Topiramato
AEDs Multimodais (Nav + GABA-A + AMPA + CA); Efeitos Adversos Cognitivos

trans-Anetol
Princípio ativo óleo de funcho; Inibição GABA-A + NMDA; anticonvulsivante

TRPM8
Potencial de Receptor Transitório Melastatina 8 – Recetor de frio; ativado por mentol

TRPV1
Potencial Receptor Transitório Vanilóide 1 – Receptor da Capsaicina; modulado por CBD e Carvacrol

TRPV3
Potencial Transiente do Recetor Vaniloide 3 – Recetor de calor; ativado pelo Incensol (incenso)

Valproato
AED de amplo espectro; inibe Nav, GABA-T, Ca2+ tipo T; teratogénico

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